domingo, 2 de dezembro de 2012


O DESDOBRAMENTO DOS PROCESSOS REVOLUCIONÁRIOS LATINOAMERICANOS:

As Esquerdas Latino-americanas na Atualidade

Mirna Galesco Dias
mirnagd@puccampinas.edu.br


O termo “esquerda” surgiu na Revolução Francesa, e com o decorrer do tempo, assumiu as características do momento histórico em que se inserem. Na Colômbia, em 1947, o Partido Conservador vence as eleições e alguns setores dogmáticos passam a perseguir de forma violenta os liberais, buscando tomar o poder numa região após outra, utilizando todos os meios possíveis para atingir seus objetivos. Passam a incitar a violência urbana, que se estende também ao campo. Apoiados em discursos moralistas, e com a ajuda da igreja, vão dividindo a população, que por razões pessoais ou ideológicas passam a viver a politica em seu cotidiano. Em 1949 alguns lideres liberais e outros conservadores, fogem para o exilio. Instala-se uma verdadeira “inquisição”, com oportunas denuncias, muitas vezes forjadas, perseguições e mortes.
Em 1953, os políticos entregam o poder aos militares, e o povo recebe a ordem de entregar as armas. Entretanto, não havia uma relação de fato entre o movimento e a politica nacional, e suas ideologias partidárias não estavam bem definidas. Os conflitos tornam-se localizados, passando a fazer parte da realidade social das cidade e vão tornando-se cada vez mais de cunho privado e pessoal. Em 1947, inicia-se um período que é chamado “La Violencia”, que não terminou antes de 1964. Desde os anos 50, o povo do campo era humilhado e tratado como bandidos. De fato, muito liberais e conservadores tornaram-se bandidos, para continuar sobrevivendo, A indiferença dos políticos em relação a violência e mortes no campo, criam a necessidade nos camponeses de  formar vínculos sociais, para unidos fortalecerem a luta. Quando conseguem organizar-se e estabelecer os propósitos da causa, o exército ordena a disseminação desses grupos, e um bombardeio aéreo é ordenado em 1964, sobre as montanhas andinas, próximas a Bogotá, direcionado ao acampamento dos bandos rurais, conhecidos como “autodefesas campesinas” (AGGIO, 2003, p.264).
Os movimentos das esquerdas latino-americanas na atualidade estão presentes com muita força nas áreas rurais, alguns encontram-se nas cidades, seus militantes recebem treinamentos paramilitares, mas suas ideologias e objetivos políticos foram alterados.  Numa perfeita demonstração sobre as permanências e descontinuidade históricas, os documentários e os autores selecionados para este trabalho, trazem a luz o e trajeto desses grupos, seus envolvimentos com os governos dos países onde atuam e suas transformações e  insurgência no século XXI.
Os documentários sobre as esquerdas na atualidade, apresentam um dossiê preparado em Londres, a partir de documentos conseguidos num confronto entre o governo Colombiano e as Farc, quando o segundo homem mais importante desta organização, Raul Reyes foi morto. Esses documentos foram, inicialmente entregues a Interpol, para garantir sua autenticidade e depois, enviado para Londres, ao Instituto de Estudos Estratégicos, e revelam o envolvimento do Presidente Hugo Chaves (Venezuela) e Rafael Correa (Colômbia), com as guerrilhas, acordos que passam por treinamento paramilitar para militantes chavistas, armas e dinheiro utilizado para custear campanhas politicas, como a de Rafael Correa, por exemplo, conforme citado nos documentários. Falam de uma quantia de quatrocentos mil dólares doados pela as Farc e utilizados na campanha eleitoral de Correa. Apesar das negativas de ambos os lideres tais envolvimentos e tornam evidentes, segundo as analises documentais realizadas pelo IEE, de Londres. Ainda que houvesse alguma relutância por parte de Hugo Chaves, a fraqueza e a debilidade desses governos, sugere a precaução diante da possibilidade de uma investida mais agressiva do EUA.
Um dos meios de subsistência dos exércitos guerrilheiros, é o cultivo de alimentos pelas próprias tropas, caracterizando suas origens agrarias. Cultivam milho, cacau, café e outros produtos, que servem de alimento nos acampamentos montados em plena floresta Colombiana. Agricultores armados, que afirmam não cultivar a folha da coca e nem a marijuana, apenas alimentos; acusam os Estados Unidos e seu imperialismo tecnológico de tramar estratégias contra o movimento guerrilheiro, o qual se estabelece sobre os princípios da solidariedade, entre seus membros, que lutam por uma causa legítima.
Defesa, resistência e contra ataque, estas são as fases de um movimento guerrilheiro que se mantem na ativa, já há muito tempo. Não é a tática de guerrilha que caracteriza uma guerra como revolucionária. A guerrilha é sempre marcada por sua definição politica (SAINT-PIERRE, p.173). A guerrilha é uma resposta à violência direcionada ao povo, pelo Estado. Lutam pelo socialismo, contra o império capitalista (EUA), pela liberdade e um mundo onde não haja a necessidade de organizações paramilitares. Essa é a tônica do discurso. Os documentários expõem as diversas faces dos movimentos de esquerda desde o fim do século XIX, quando surgem na América Latina, e atravessam todo o século na ilegalidade. Em sua configuração inicial, buscam o socialismo, e os movimentos se articulam para promoverem as reformas e chegar ao poder. As terríveis desigualdades sociais latino-americanas, provocadas pelo processo capitalista, agravaram-se significativamente aos longo dos anos, e esse foi um dos fatores importantes para a popularização e fortalecimento dos movimentos sociais.
A proposta desses movimentos é a representação popular, no sentido de uma luta pela igualdade e liberdade, mas verificamos que as lideranças esquerdistas que ascendem ao poder no século XX, perdem suas características e moldam-se as conjunturas politicas, atuando muitas vezes de forma conservadora, e até mesmo, de direita. O historiador Marco Antônio Villa afirma que o socialismo não existe mais, ao menos do modo como foi concebido. Tece um comentário sobre o governos do PT, referindo-se a uma “comédia” do tipo pastelão, e ao governo chavista venezuelano, denunciando o nepotismo e o favorecimento de interesses pessoais, e ao mesmo tempo, as migalhas que são jogadas aos pobres, reforçadas pelo discurso populista de Hugo Chaves. Aponta que tanto Chaves, quanto Rafael Correa, da Colômbia são perseguidores da imprensa e de postura conservadora, caracterizando uma dominação elitista. Emir Sader, critico, comenta que a teoria marxista deve ser aplicada no sentido de interpretar os acontecimentos atuais, pois um socialismo marxista não mais é possível que ocorra, ao menos nos moldes em que se estabeleceu inicialmente.
Os atores envolvidos nos movimentos de esquerda, tem sua fala carregada de elementos ideológicos, e a própria realidade em que vive o povo, legitima tais discursos. Segundo Florestan Fernandes, citando a Revolução Cubana, da guerrilha nasceu o homem político, do guerrilheiro nasceu o político, para Saint-Pierre, é o conteúdo político da ação que caracteriza a guerrilha e o guerrilheiro (SAINT-PIERRE, p.182).
 As guerrilhas organizadas na América latina para defender os interesses das comunidades agrarias e indígenas, a certa altura se desviaram do objetivo inicial e se enfraqueceram nas bases, envolvendo-se com o governos e também com a questão do narcotráfico, deixando o povo desamparado, e também se perdendo da meta de transformação social.  Ainda assim, alguns lideres dizem acreditar na legitimidade de representação popular pelas guerrilhas.
Os conflitos internos nos países latinos, surgiram após acontecimentos internacionais que afetaram a economia dos diversos países. O México se tornou refém do estado norte-americano, preso a uma divida impagável , que compromete seriamente o desenvolvimento econômico do país, aprofundando as desigualdades sociais.
 Ocorrências desse tipo, ou outras em que a sociedade se vê desamparada, está pronto o fermento ideológico de um movimento social. Nesses momentos emergem as figuras dos lideres, cultuadas pelo povo. Uma especificidade no caso do populista Hugo Chaves, que se declara democrático, atua como autoritário e tem o apoio popular. Marco Antônio Villa, em documentário sobre as esquerdas na atualidade, fala sobre doze processos eleitorais citado por o partido chavista venceu 11, o que evidencia a concretização de um desejo do povo.
Outro fator importante que influenciou os movimentos de esquerda latino-americanos, foi colapso de socialismo, com a queda do Muro de Berlim. Com isso, o referencial revolucionário também desapareceu. Foram caracterizado dois modelos de socialismo, o cubano e o soviético que enfraquece após a queda, e Cuba que, mesmo com suas grandes conquistas educacionais, a erradicação da pobreza e os investimentos em saúde, fez parte de um modelo adotado a mais de cinquenta anos, e “tornou-se rapidamente obsoleta" (CASTANEDA, 1994, p.208)
A esquerda se fragmentou e assim está atualmente, com pequenos grupos que se formam e se articulam em torno de tantas demandas. No entanto, dois movimentos que se formaram no século XX, ainda estão na ativa. Trata-se das FARC (Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia), e o EZLN (Exercito Zapatista de Libertação Nacional, 1983- México).
Em 1948 o representante/líder do Partido Liberal, que era candidato a eleições, Jorge Gaitan, foi assassinado. Esse fato coincidiu com o vencimento do Partido Conservador. Líder muito popular na Colômbia, a morte de Gaitan torna-se a justificativa para a relação violenta que se estabelece entre os dois partidos. De 1948 a 1953, a resistência armada, os conflitos, a guerra civil entre conservadores e liberais, nesse período, mataram aproximadamente 150.000 pessoas. Período de governo que decretou estado de sítio, ditatorial, autoritário e ao mesmo tempo período de ocorrência da resistência armada e início da organização da guerrilha.
Em 1953 até 1958, a Colômbia é governada por regime militar – golpe com anuência do partido conservador. Passa a governar, Rojas Pinilha. O SIC – Serviço de Inteligência Colombiana se instalou nesse período e perseguia os partidos de esquerda que começavam a aparecer.
O Estado ajuda a criar organizações paramilitares (membros do Partido Liberal), permitindo, inclusive, o porte de armas. Formam-se dois movimentos guerrilheiros: FARC-EO (1964) e ENL (início dos anos 60).
Em 1958, militares no comando do país firmam um acordo com os dois partidos, propondo que haja 50% dos deputados e senadores para cada partido e o poder executivo de forma alternada entre esses dois partidos. Cria a Frente Nacional para atacar as guerrilhas que tentavam insuflar as comunidades nas cidades, e com isso joga a guerrilha para fora da participação política.
Afonso Cano, líder das Farc, assassinado em 2011, criticou a ideia de democracia e mostra como esse discurso é ineficaz. Afirma que as elites que se revezam no poder nada têm a ver com o povo, não havendo possibilidades de negociação. As propostas de paz do governo ficam no discurso. Lembrou também que outros movimentos desistiram da luta armada, mas nem assim obtiveram sucesso nas negociações. A guerrilha é autêntica, é a luta do povo.
Historicamente, as Farc foi uma guerrilha que objetivava tomar o poder; de via leninista, marxista, sua a luta se privatizou em 1958. Hoje, descaracterizada ainda se intitula guerrilha, e o governo desconstrói sua imagem, ao associá-las ao terrorismo, narcotráfico e banditismo. A guerrilha passa a ser uma via de sobrevivência para boa parte da população, aquela que está fora do poder político, e que conhece a realidade da comunidade e suas necessidades, pois vivenciam na própria pele.
As FARC hoje são armadas belicamente, tem treinamento rígido, com uniforme, bandeira, de forma muito próxima do exercito regular. Não ambiciona mais tomar o poder; realiza ações pontuais, estratégicas, específicas para conseguir alguma barganha. Hoje é meio de vida, pois não há objetivo.
            O EZLN (Exército Zapatista de Libertação Nacional), passou por diversas transformações estruturais, teóricas e praticas desde o seu surgimento em 1 de janeiro1994, quando veio a público no estado mexicano de Chiapas, quando desestabilizam o sistema politico mexicano com seus questionamentos relativos à modernidade e suas novas propostas de fazer politica. Apresentam uma nova forma de organização, revelando diversas especificidades, principalmente intelectual e questionadora , diferenciando-se dos demais movimentos de esquerda latino-americanos.
O Zapatismo em seu discurso, faz uma profunda critica social, de caráter identitário e lança novos conceitos sobre as ações coletivas. Segundo artigo de Alexander Maximilian H. Filho, o EZLN apresenta características peculiares, e não comuns a outros movimentos, como sua capacidade de autocritica, apontando para uma nova fase de protesto social, processo iniciado na segunda metade dos anos 90, na América.
O contexto social mexicano, propicia a exclusão, os indígenas são tidos como inferiores; hoje se reconhece e se exalta a diversidade, porem num contexto capitalista, que olha apenas para a questão cultural, minimizando ou ignorando as diferenças, sufocando o potencial de conflito, forçando a assimilação do capitalismo e gerando intimas dependências com o consumismo; Desse modo a diversidade é aceita, dentro dos limites de tolerância do capitalismo.
Diante desses e de outros fatos, compreendemos o sentido de uma das grandes reinvindicações do movimento zapatista, no que concerne ao reconhecimento da dignidade indígena. A resistência do zapatismo se deve a identificação com os interesses e aspirações dos explorados e oprimidos pelo capitalismo, hoje criticado pelos próprios indígenas.
Nos países latino-americanos, os movimentos de esquerda assumem novas posturas politicas, diante das novas (velhas) lutas. Ainda hoje o braço mais forte da esquerda encontra-se no campo, fortalecido pelas contradições capitalistas. Conflitos rurais e urbanos são uma resposta popular à crise econômica urbana, desemprego e, consequentemente, aprofundamentos das desigualdades sociais. Os movimentos na atualidade concentram-se nas questões agrarias, no caso do Brasil, o MST (Movimento Sem-Terra), tem comandado invasões e enfrentamentos entre agricultores e latifundiários, sendo a violência um aspecto muito presente na realidade dos integrantes do movimento. Também na Colômbia e no México, as manifestações da esquerda centram-se no campo. Em El-Salvador, acordos de paz não trouxeram beneficio algum aos camponeses. O eixo das lutas na Bolívia, Uruguai e Equador também estão no campo. Na Argentina, os conflitos são urbanos, organizados por sindicatos tradicionais, por meio de greves. Outras expressões de oposição nas cidades encontram-se no Brasil e Uruguai, em pequena escala, no Chile, na Venezuela, onde recentemente em Caracas e outras regiões ocorreram manifestações violentas.
Constatamos a tênue separação entre governos, esquerdas, guerrilhas, banditismo, e etc. Essas realidades perpassam-se na cena latino-americana, e toda analise se torna complexa, considerando a diversidade social e cultural da sociedade. Um tema rico em seus simbolismos históricos, que interpretados trazem a luz questões de relevância na atualidade, com a violência destacando-se na pauta do dia.
A História cabe a interpretação desses símbolos, a analise critica e cientifica dos acontecimentos, buscando a possibilidade de compreender tais processos, para entender os aspectos do passado que estruturaram o presente, e quais as alternativas para um futuro ainda de todo, incerto.

BIBLIOGRAFIA:
HILSENBECK Filho, Alexander Maximilian. Por um mundo onde caibam muitos mundos: O zapatismo e as não-fronteiras da resistência e da esperança; Revista Lutas Sociais n. 19-20, PUC-SP, 2008.
BRAUN, Herbert.  Honra, amnésia e reconciliação na ColômbiaIn: AGGIO, Alberto; LAHUERTA, Milton (orgs.). Pensar o século XX: problemas políticos e história nacional na América Latina. São Paulo: Editora UNESP, 2003.
CASTANEDA, Jorge. Utopia desarmada. Cap. 8, La Guerre Est Fine; São Paulo: Cia das Letras, 1994
SAINT-PIERRE, H. L. A política armada fundamentos da guerra revolucionária. São
Paulo: Editora UNESP, 2000.
DOCUMENTÁRIOS:
Esquerdas na Atualidade:

Colômbia: Afonso Cano:


Guerrilha- FARC- Envolvimento Venezuela e Equador:



Trabalho apresentado à disciplina de Temátcias Especiais América latina século XX 
Prof Ana Rosa Cloclet - Sexto Perído do Curso de História - Dezembro de 2012

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O IMAGINÁRIO DO CRISTIANISMO PRIMITIVO: A CONSTRUÇÃO DO MITO DO DIABO


“Somos todos campos de batalha, nos quais se digladiam deuses.”
Paul Valéry

            Uma ideia, assim como um objeto, passa a existir no mundo material a partir do momento que é percebida e o quanto é real, ao considerarmos sua existência, e do diálogo possível que travamos com essa ideia. Chegamos ao cerne da mentalidade dominante de uma época, ao analisarmos fenômenos psíquicos no comportamento coletivo nas diversas épocas da história humana. Um diálogo entre o homem e sua mente.
            Traçar o caminho percorrido por um dos principais mitos da religião cristã, o Diabo, personagem antagônico à Deus, torna possível o vislumbre da época em que a construção deste mito tem sua origem. Seguindo as pegadas desse personagem no tempo, em busca da ideia primeira, até que se torne um conceito, nos damos conta de toda bagagem cultural contida nesse mito, que emerge na realidade medieval, se transforma no que representa nos dias atuais, e o que nele é contido  chega até o nosso tempo.
            Diversos autores dedicaram-se ao estudo desse tema. O inicio da construção do mito  arquétipo do diabo pode ser encontrado na literatura sagrada e profana, na arte e nas antigas civilizações. O Mal se apresenta como oposição ao Bem,  como os antagonismos, luz-sombra, belo-feio, bom-mau. A necessidade do ser humano em entender e significar o mundo leva-o a categorizar para poder organizar e através do conhecimento, adotar e dominar técnicas que o ajudem a sobreviver num mundo hostil.  As primeiras exteriorizações dos pensamentos foram gravadas nas cavernas, demonstrando de certa maneira como o mundo era percebido pelos primitivos.  Externavam cenas cotidianas, como também a forma de culto ao desconhecido, orientadas pela duvida e o medo.
            O que provavelmente, naquele tempo, se tratava de doenças até então desconhecidas, era prontamente atribuído ao poder maligno do inimigo de Deus. Muitas referencias à obsessões por maus espíritos encontra-se relatado constantemente e definido como ações negativas ou mesmo malignas, são a expressão que mais representam o que seria o Bom, o Bem e o Mal no contexto onde são produzidos Nosso trabalho parte da obra “Tentações de Santo Antão” - “Vita Antonii”, publicada em 357 d.C. por Atanásio, bispo de Alexandria.
            A obra as “Tentações de Santo Antão” é elemento de extraordinária importância para a compreensão do universo de representações do cristianismo medieval; exemplo disso é a forma recorrente como ele é citado na iconografia e na literatura religiosa do medievo e na arte renascentista. Bosch representou o tema numa de suas mais famosas pinturas a óleo, que inspirou pelo menos outras 16 reproduções renascentistas (FRIEDLANDER, p. 99-100); Santo Antão foi ainda retratado por Pisanello, Piero di Cosimo, Sassetta, Diego Velásquez e Grunewald, entre outros.
            A “Vita Antonii”, publicada em 357 d.C. por Atanásio, bispo de Alexandria, é uma das obras fundadoras da hagiografia (descrição da vida dos santos) cristã; o sucesso do livro foi um dos principais responsáveis pela rápida disseminação das práticas monásticas por todo o mundo cristão, a ponto de o monasticismo tornar-se uma das expressões mais fundamentais do cristianismo medieval.
            O eixo principal do relato de Atanásio é a luta do eremita contra o demônio. O demônio retratado pelo bispo Atanásio atende a uma função essencialmente pragmática: ele é um eficiente recurso de combate aos cultos pagãos. O livro é escrito poucos anos após o breve governo do imperador pagão Juliano (361-363 d.C.); o paganismo goza ainda de imensa influência e popularidade, a despeito dos interditos imperiais proibindo os cultos desde 357 (o Serapeum de Alexandria, por exemplo, um dos principais templos de Isis no império, funcionará até ser destruído em 391, após uma violenta revolta dos pagãos). Atanásio está preocupado principalmente com as crenças populares de que os ídolos e imagens dos deuses pagãos possuem poderes mágicos; o relato trabalha eficientemente essa questão: longe de negar a capacidade mágica das imagens, Atanásio a atribui aos poderes demoníacos. Esse discurso realça então a superioridade mágica do cristianismo: o próprio fato de que um cristão destrua um ídolo sem ser molestado pelos “demônios” funciona como prova de que o novo culto tem poderes mágicos mais eficientes.
         O objetivo deste trabalho é analisar o processo de construção da figura do diabo no corpo doutrinário e no imaginário popular do cristianismo primitivo a partir da obra “Vita Antonii” de Atanásio. Nossa análise considera as motivações do autor e o debate em torno da significação dos recursos literários utilizados, considerando tanto suas influências - as biografias de personagens ilustres tão em voga no mundo greco-romano, ou o hábito de os escritores clássicos colocarem na boca de seus heróis sermões ou discursos que retratam os pontos de vista do autor - quanto sua significação e propósitos; o debate entre historicidade do relato e construção do relato como peça propagandística das ideias doutrinárias do bispo Atanásio interessa-nos, sobretudo em relação ao tema de nosso estudo, a imagem do demônio. Pelo menos um quarto da obra versa exclusivamente sobre demonologia.
      O bispo Atanásio é um dos principais adversários das ideias de Ário, também bispo de Alexandria nos primeiros tempos do cristianismo primitivo, que concebia o cristianismo a partir de uma lógica racional pautada e influenciada pela estrutura mitológica da Grécia. Para Ário, Jesus e Deus não eram a mesma divindade porque Jesus, ao se fazer homem, perdeu a substância (Aristoteles, unidade indivisível de matéria e forma), puramente divina, tornando-se um semideus, entre outras ideias que o levaram a ser expulso do ambiente eclesiástico e viu sua tese condenada como “a heresia ariana.” Quando o cristianismo ortodoxo-romano tornou-se a religião do Império a situação foi resolvida e o movimento liderado por Ário foi perseguido, e por este motivo foi, aos poucos, desaparecendo. Tempos depois, na Polônia, a irmandade polaca, “Frater Polonorum” resgata o termo “Arianos” em referencia a uma seita Cristã Unitária, e suas teorias preconizaram o Iluminismo.
    Nosso específico é buscar na obra trechos que possam identificar um processo de demonização de elementos da cultura pagã greco-romana, da filosofia neoplatônica e da santificação da religiosidade hebraica.
     O Cristianismo surge a principio de forma tímida, dentro do judaísmo e do helenismo. O apóstolo Paulo de Tarso, romano-pagão convertido ao cristianismo, não conheceu Jesus pessoalmente, e a partir do seu próprio entendimento lançou as bases do cristianismo de nosso tempo. Segundo Paulo, a fé na salvação rompe com o ciclo do eterno retorno, crença dos povos que viviam segundo as leis da natureza, e interpretavam o mundo desse modo. Essa pequena modificação tornou a nova doutrina capaz de atender melhor a principal necessidade anunciada pelo clero daquele tempo: a salvação. A crença no retorno de Jesus mostra-se também essencial para a formulação do cristianismo. Entretanto, a igreja deixou de afirmar a “derrota” do inimigo, para justificar sua própria existência (Nogueira, p. 41).
    A sobreposição do cristianismo ao paganismo não afetou imediatamente a mentalidade camponesa da época. O culto ás forças naturais foram sendo substituídos, integrados e canalizados para a nova religião. Em um determinado momento, as ações do demônio cristão se iniciam na vida daqueles que estariam a salvo, em sua antiga crença. Passam, a partir de então, a precisar de “salvação”!
     Articular uma ideia à realidade sugere representações desta mesma ideia. Na fundação do cristianismo, o universo simbólico que se constrói é fincado no imaginário coletivo e suas formas de manifestação são as mais diversas. O povo hebreu, na origem do judaísmo, não personificaram uma figura maligna, não havia necessidade da “encarnação” do Mal. Reconheciam a superioridade de seu Deus em relação aos outros deuses, de outras tribos, e um poder insignificante é atribuído ao Mal, e as referencias a ele são poucas no Velho Testamento e na Torá dos judeus. Isto devido ao esforço do judaísmo em manter seu monoteísmo, tendo esse esforço justificado pela lei mosaica, que proibia superstições para evitar que as tribos de Israel se envolvessem com a idolatria praticada por outros povos (Nogueira, p.14).

“Sob forma abstrata, os símbolos são ideias religiosas; sob a forma de ação, são ritos ou cerimonias. São manifestações e expressões do excedente da libido. Constituem ao mesmo tempo, degraus que levam a novas atividades que, especificamente, devemos chamar culturais, para distingui-las das funções instintivas que seguem seu curso regular, de acordo com as leis da natureza (Jung, 1997, p. 45-46)”.

 Tanto Sigmund Freud, quanto Carl Gustav Jung discorreram sobre o tema “inconsciente”, sendo que para Freud o inconsciente é de natureza exclusiva. Freud chamou a psique instintiva como "id" e "superego" correspondências ao inconsciente coletivo, sendo em parte consciente e em parte inconsciente (reprimido) pelo individuo (Jung, 1997, nt. 1). Jung, no entanto, compreende o processo de outra perspectiva. Afirma a existência de um inconsciente coletivo, onde estariam registradas todas as atividades humanas, desde seu principio até nossos dias. Os arquétipos são conteúdos psíquicos do inconsciente coletivo. Nessa ótica entendemos o diabo originalmente, como uma possibilidade adormecida no mundo das ideias, que desperta ao ser invocado pela humanidade. Uma herança psicológica, que se alimenta de si mesma.
A construção do mito do diabo vai acontecendo lentamente, e a ele são atribuídas as causas do sofrimento humano. Na obra “Vida de Santo Antão” o discurso empreendido por Atanásio de Alexandria, visa demonizar o culto pagão e todas as suas práticas, em favor do cristianismo que apenas iniciava seu percurso histórico. Instituindo a pedagogia do medo (Nogueira, p.41), o movimento cristão vai se consolidando.
Desmontar, se apropriar e sobrepor o universo pagão foi o projeto sociopolítico da elite governante da época, Igreja. O diabo, neste contexto ganha importância indiscutível, assim como personalidade própria, tornando-se ao mesmo tempo uma representação de qualquer oposição ao domínio clerical.
Nossa análise parte do contexto histórico em que a obra é escrita (o bispo Atanásio está então em luta aberta contra o arianismo) “Tentações de Santo Antão” - “Vita Antonii”, publicada em 357 d.C. por Atanásio, bispo de Alexandria; as cartas do Apostolo Paulo no Novo Testamento; O Diabo no imaginário cristão, de Carlos Roberto F. Nogueira; e a metodologia analítica de Carl Gustav Jung, na compreensão do arquétipo do diabo.

“Uma existência psíquica só pode ser reconhecida pela presença de conteúdos capazes de serem conscientizados. Só podemos falar, portanto, de um inconsciente na medida em que comprovamos seus conteúdos. Os conteúdos [...] do inconsciente coletivo, por outro lado, são chamados arquétipos (Jung).”

Nosso estudo preliminar sugere uma construção do diabo como eficiente peça de propaganda contra práticas pagãs ainda muito arraigadas entre as camadas mais populares da população, sobretudo a crença na eficiência mágica das imagens de deuses pagãos, substituídas pela imagem do mártir- santo cristão.  

Bibliografia das Fontes:

ATANASIO, Vida de Santo Antão, disponível em: http://www.salverainha.com.br/downloads/Atansio_Vida_de_Santo_Antao.pdf

JUNG, Carl Gustav; Texto publicado em português na obra de Carl Gustav Jung, “Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo.” – Petrópolis: Vozes, 2000. Páginas 13-50

NOGUEIRA, Carlos Roberto F. “O Diabo no imaginário cristão”- 2ª Ed. – Bauru, SP: EDUSC, 2002 – Coleção História.




Bibliografia Geral / Específica

FRIEDLANDER, Max J. Die altniederländische Malerei. Leida: A. W. Sijthoff, 1937. 99-100 p. vol. XIV.

MANGO, C. 'Diabolus Byzantinus', A.Cutler and S. Franklin edd., Homo Byzantinus, Dumbarton Oaks Papers 46 (1992), 215-223.

COLOMBAS, GARCIA M., El monacato primitivo, T. I BAC 351, Madrid, 1974, 376 p.

BREMOND, JEAN, Los Padres del Yermo. Prólogo de Henri Bremond. Aguilar, Madrid, s.a., 510 p.

DRAGUET, RENE, Les Pères du Désert. Plon, Paris, 1949, 1 X - 333.

LAMPE, G.W.H., Patristic Greek Lexikon. Clarendon. Oxford, XLVII - 1568 p.

LORIE, L.T.H.A., Spiritual Terminology in the Latin Translation of the Vita Antonii (Latinitas Christianorum Primaeva XI). Dekker & van de Vegt, Nimega, 1955, XV - 180p.

MEYER, ROBERT T., The Life of Saint Anthony (Ancient Christian Writers, n. 10). The Newman Press, Westminster, Maryl., 1950, 130 p.

BASILII STEIDLE OSB Herder, Studia Anselmiana 38: Antonius Magnus Eremita. Roma, 1956, VIII - 306.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Comentário sobre o filme documentário Atlântico Negro –" Na Rota dos Orixás"


            Na Rota dos Orixás, Brasília, 1997, dirigido por Renato Barbieri
       
           O documentário trata das relações histórico-culturais entre Brasil e África, especialmente no aspecto da religião dos Orixás.
            O referido trabalho apresenta boa qualidade técnica e uma linguagem que facilita o entendimento para qualquer público que o assista. O documentário informa sobre a grande dispersão que houve de escravos africanos para o nosso continente utilizando o denominado “Atlântico Negro”, dando a noção de interligação entre a cultura africana e os afro-descendentes das Américas, principalmente os do Brasil. Esse novo prisma coloca nossa herança cultural européia e africana no mesmo nível.
            Com a globalização, o mar atlântico que era considerado um grande divisor de fronteiras, associado com o recorte do tráfico, agora é visto como uma nova ligação cultural, com poder de articulação para um diálogo consciente e um relacionamento com a sua história.
            O documentário inicia-se com o líder religioso brasileiro Pai Euclides se comunicando com o líder religioso beninense, o vodunon Avimanjenon, através de vídeo. Outros recursos usados são: narração, comentários de entrevistados, imagens de rituais, festas, representação histórica e vínculos culturais, intercalando o Brasil e o Benim.
            Além disso, são enfatizados três temas: a religião dos Orixás, o tráfico e a comunidade Agudá (descendentes de escravos africanos que retornaram á África).
O documentário apresenta pareceres dos historiadores brasileiro e beninense Alberto da Costa e Silva e Emanuel Karl, respectivamente, dando informações sobre o sistema escravocrata na Costa dos Escravos nos séculos XVIII e XIX.
            A polemica figura do baiano Félix de Souza, o “Crachá” também é mencionada no documentário. Ele foi o maior traficante de escravos de toda a história do século XIX. Estabeleceu-se em Uidá construindo um império comercial com ajuda do rei do Daomé Guêzo, deixando uma enorme e rica descendência (comentada pelo fotógrafo e antropólogo Milton Geron.
O entrelaçamento cultural também é destacado através de comparações entre festividades praticadas pelos Agudás e pelos brasileiros, como a festa da Burrinha com especiais afinidades com o Bumba Meu Boi realizado no Maranhão.  No carnaval dos Agudás também aparece o forte traço cultural ligado ao Brasil.
 Isso demonstra a troca de culturas oriundas do tráfico, pois os africanos quando vieram para o Brasil, trouxeram consigo, além das tradições religiosas, as culturais, da mesma forma que levaram para a África as tradições assimiladas no Brasil. Um exemplo disso é a influência da arquitetura brasileira, claramente demonstrada na construção de uma mesquita em Porto Novo. A construção tem todas as características das igrejas católicas construídas na Bahia.

Segundo NICOLAU (1998-1999), o documentário não possui uma fidelidade etnográfica, como na passagem em que o narrador fala de Exu e as imagens mostram o Vodum, ou, ainda, quando são apresentadas imagens justapostas do bloco Ilê Aiye com as da festa religiosa de Tambor de Minas, no Maranhão. Isso é detectado apenas por especialistas participantes ou estudiosos dessa religião e pode causar questionamentos.
A produção do documentário procura demonstrar parte do cotidiano dos habitantes da África através da festa dada pelos Agudás em Uidá ao receber a equipe da filmagem, utilizando-se de artifícios de ficção para retratar esse cotidiano. Ainda que possa ser duvidosa a espontaneidade dos participantes, uma vez que estavam cientes de que estavam sendo filmados, é importante essa passagem para inserir ao conhecimento sobre a África e seus habitantes, os Agudás.
Os produtores mais uma vez usaram de manipulação para representar a admiração mútua entre os povos desses países quando apresentam o envio de um suposto presente  do líder religioso Avimanjenon a Pai Euclides – um bastão cerimonial que foi recebido de forma ritual. Esse bastão, na verdade, não foi um presente enviado pelo líder religioso Agudá, mas sim comprado pelos produtores do filme.
Os produtores do documentário souberam expor as imagens e as informações de uma forma muito abrangente, e mesmo com as manipulações decorrentes da edição, narrativa e apresentação das cenas, o discurso se tornou legítimo.
Apresentado de uma forma compacta, o documentário atinge seu objetivo principal que é produzir documentação de uma história até pouco tempo não vista e não apreciada, mas que hoje é de extrema importância para que os afro-descendentes tenham acesso às suas origens.
Como matéria obrigatória em sala de aula, a história da África conta com esse documentário como um importante instrumento educativo.
  
REERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARBIERI, Renato. Atlântico negro – a rota dos orixás, Brasília, 1997. Filme documentário 35mm., color. Duração: 53 min., 41 seg. Diretor: Renato Barbieri. Projeto e roteiro: Victor Leonardi e Renato Barbieri. Idealização e realização: Videografia; Instituto Itaú Cultural. Patrocínio: Ministério da Cultura; GDF-SCE; Pólo de cinema e vídeo do DF; Fundação Cultural do Distrito Federal.

NICOLAU, Luis. Revista Afro-Ásia, 21-22, 1998-1999, 367/375 

Mirna Galesco Dias – História da África – Profº Artur J. Vitorino

Análise do Documento Tucídides, Historia da Guerra do Peloponeso, livro 1, capítulos 5-8; Atenas, século V


                O documento analisado nos remete a uma época de necessidades e violência, sinalizando a ausência de uma política capaz de regular e administrar as tensões surgidas no dia-a-dia, das quais dependiam muitas vezes a própria sobrevivência da aldeia. As dificuldades eram muitas e não havia um plano pré-concebido para responder as questões inerentes a todas as sociedades humanas, num tempo de poder desigual. No contexto de busca por saídas, a partir das situações vivenciadas p a pirataria mostrou-se  como saída possível significava uma reação como forma de luta com as constantes “necessidades”, conferindo tanto  glória á audácia de homens corajosos que saqueavam e aumentavam seu poder, como também  suprimento ás necessidades dos mais vulneráveis.

               Nos remetendo a imaginação á uma cena de barbárie, o poder fragmentado formando pequenos núcleos de opressão, sem limites de atuação determinados. As aldeias eram atacadas por estes homens em busca de valores e alimentos, e assim agiam sem nenhum constrangimento, sendo até glorificados, pois suas investidas eram justificadas pela sobrevivência de muitos outros. “Moralidade” e “ética”, eram conceitos inexistentes.

             Tratando-se de uma atividade comum a diversos povos, o exercício da pirataria com êxito era ponto de honra. Os poetas antigos se referiam a eles demonstrando que aqueles homens não negavam sua natureza e não eram censurados por tal motivo. Pilhavam inclusive no continente, sendo essa prática uma herança de tempos anteriores, legada pelos costumes de seus antepassados.   
 
            Os habitantes continentais viviam segundo esses antigos costumes e formavam diversos grupos de indivíduos, que tinham em comum o porte de armas. Teriam se armado para pilhar e para se defender inicialmente, se reunindo eventualmente  com outros em prol de um objetivo comum. A posse de armas lhes garantiam outras posses defendendo prioritariamente seu espaço e sua própria vida. Este seria um traço marcante, traduzindo em si mesmo a mais possivel igualdade  entre os homens.

            A preocupação com a segurança é resultado da necessidade de proteção da aldeia, já demonstrando o desenvolvimento da economia. As cidades que se formavam e acumulavam reservas de recursos tiveram que preocupar-se com segurança, levando a pensar na localização geográfica da aldeia, geralmente no meio de outras menores, como estratégia, devido a ação dos saqueadores. Exerciam influência sobre as aldeias menores, porém a ausência de leis facilitava a pilhagem interna das quais, aqueles que não tinham como se defender, eram vítimas constantes.

            A prática da pirataria pode ser observada através de provas arqueológicas. Um bom exemplo se vê num trecho do documento, através da avaliação feita na época da purificação de Delos, quando foram encontrados túmulos seguindo determinado padrão. Um maior contato entre os continentes se deu através da colonização, quando Minos formou sua frota marítima e expulsou os malfeitores.


                  No texto, é possível notar que conforme   as necessidades se apresentam,  provocam a adaptação e a organização dentro da comunidade, moldando o cotidiano daquele povo, respondendo as demandas que surgiam. A organização militar, formaliza uma ação que se tornou recorrente diante da violência de uns contra outros, um mecanismo necessário no sentido de regular tais ações. Esse contexto não reconhece o sentido de propriedade privada, que surge em outro momento como desdobramento das soluções encontradas para resolver o impasse da pilhagem da aldeia. Portanto a  propriedade  era comum e todos compartilhavam da mesma necessidade de proteção.


Mirna Galesco Dias – Disciplina: História da Antiguidade Oriental –
Profº Fábio Augusto Morales